Buldogue Campeiro – Histórico – Origens

As Origens

O Buldogue Campeiro tem como seu ancestral o Bulldog Inglês Antigo, que veio a sofrer algumas modificações em função do trabalho que lhe era exigido nas lidas campeiras.
O nome, originário do inglês bulldog, foi adaptando-se ao português e à fala campeira, sendo hoje conhecido também por burdogue, bordoga ou buldogue pampeano.
Até há bem pouco tempo o Buldogue Campeiro era um cão usado em muitos matadouros e fazendas de gado de corte no sul do Brasil.

Um Caso de Paixão
(Por Ralf Schein Bender, responsável pelo resgate da Raça)

Desde criança tive contato com esta raça de cães robustos e ágeis que acabou por cativar-me profundamente. Minha família possuía um sítio no interior do Rio Grande do Sul, município de Taquara, bairro de Tucanos, onde também havia um matadouro. Naquela época (por volta de 1970), os buldogues eram utilizados nos matadouros como cães boiadeiros nas tropeadas de porcos e gado de corte, que eram hospedados nos campos vizinhos para daí serem levados até o matadouro. Pude observar em muitas ocasiões que os buldogues continham imediatamente qualquer boi que tentasse fugir ou agir de maneira agressiva.

Buldogue campeiro

Buldogue campeiro

Um Buldogue Campeiro treinado ao trabalho segura, com as suas mandíbulas presas ao focinho do boi, um animal de 400 kg ou até mais.
Em Taquara e em localidades vizinhas haviam vários matadouros, os quais eu costumava visitar na companhia de meu pai que, sendo contador, atendia toda a região. Todos possuíam pelo menos cinco buldogues, podendo este número chegar a dez ou mais. Eu observava o comportamento e as atitudes gerais dos buldogues e sempre chamou-me a atenção a sua autoconfiança e dignidade. Quando solicitados a uma tarefa em que lhes é exigido um comportamento agressivo eles respondem prontamente, sendo imensamente dóceis e afetuosos nas demais ocasiões.
Impressionado com estes cães, passei a admirá-los. Então, no ano de 1978, decidi adquirir um exemplar de Buldogue Campeiro. Quando fui procurá-lo, porém, tive uma grande surpresa: restavam apenas uns poucos dos tantos que eu havia conhecido, e os novos buldogues eram mestiços e não conservavam mais aquelas características marcantes da raça que eu estava justamente buscando. Foi triste constatar que num período relativamente curto de tempo os cruzamentos alteraram tais qualidades.

Resgatando o Buldogue Campeiro

Tendo dificuldade em encontrar o legítimo Buldogue Campeiro, fui em busca do Bulldog Inglês, mas tive uma surpresa: ele era mais baixo e não demonstrava a mesma agilidade. O Bulldog Inglês é um ótimo cão de companhia mas não serviria como cão de trabalho onde seriam-lhe exigidos resistência física e mais agilidade. Constatei então que já tinha o conhecimento concreto do que eu realmente queria, minha vontade partia do contato que havia tido com o Buldogue Campeiro.
Minha insatisfação levou-me a uma decisão: resgatar o Buldogue Campeiro. Esta decisão foi reforçada quando vim a saber que esta raça não era reconhecida e estava em vias de extinção.
Parti então em busca dos exemplares remanescentes. Fui à muitos lugares no interior do Rio Grande do Sul: na serra, na fronteira e também no vizinho estado de Santa Catarina.
Entrei em contato com muitas pessoas e em muitas ocasiões fui atrás de informações equivocadas. Mantendo porém um inabalável propósito, fui aos poucos encontrando alguns cães que preservavam as características da raça.
É gratificante constatar que ainda hoje, apesar das dificuldades em encontrar exemplares sem cruzamento, o Buldogue Campeiro é lembrado com satisfação por muitas pessoas que possuíram ou apenas viram estes incríveis cães.

Superando Desafios

Realizei uma extensa pesquisa que trouxe-me, além de muitas gratificações, uma série de desafios. O primeiro deles estava na base do meu projeto: a quantidade de cães que apresentavam todas as características desejadas era insuficiente para que eu pudesse desenvolver uma criação sem problemas com a consangüinidade.
No intuito de resolver este problema, passei a utilizar aqueles buldogues que, mesmo sem reunir todas as melhores características de estrutura e temperamento, possuíam algumas delas de forma marcante. Então, para não corrigir deficiências utilizando cães de linhagens que eu já possuía (e aí correr o risco de trazer o problema da consangüinidade), resolvi realizar acasalamentos com o Bulldog Inglês (que, assim como o buldogue campeiro, é uma ramificação de um mesmo ancestral comum: o Bulldog Inglês Antigo) como forma de devolver a estas linhagens as características da raça.
Com muito trabalho, muita dedicação e amor, fui chegando ao meu objetivo de aprimorar as ninhadas. Para minha satisfação, elas apresentavam cada vez mais as almejadas características do legítimo Buldogue Campeiro.
Parte deste dedicado serviço constituía-se em intercalar os cruzamentos com o Bulldog Inglês, selecionar sempre os cães que apresentavam as características do Campeiro e acasalá-los entre si para firmar estas características que, por sua vez, estão sempre sendo analisadas com o objetivo de aperfeiçoa-las no processo de seleção e melhora.
Possuo atualmente em meu canil cerca de 30 exemplares de várias procedências, onde a cada acasalamento são levados em conta a origem, a estrutura e o temperamento dos cães.
Os resultados alcançados têm me dado, cada vez mais, motivos para continuar neste caminho.

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